Lipidómica das secreções da glândula meibomiana humana: química, biofísica e papel fisiológico dos lípidos meibomianos
Igor A Butovich1
Afiliação
- 1Departamento de Oftalmologia e Escola de Pós-Graduação em Ciências Biomédicas, Centro Médico Southwestern da Universidade do Texas, 5323 Harry Hines Blvd., Dallas, TX 75390-9057, EUA. igor.butovich@utsouthwestern.edu
Resumo
As secreções das glândulas meibomianas (sGM) humanas são uma mistura complexa de diversos lípidos produzidos pelas glândulas meibomianas localizadas nas pálpebras superiores e inferiores. Durante o piscar dos olhos, as sGM são excretadas para a superfície ocular, espalhadas e misturadas com as lágrimas aquosas produzidas pelas glândulas lacrimais, formando a parte mais externa de uma estrutura ocular chamada “filme lacrimal” (FL). A principal função fisiológica do FL é proteger as delicadas estruturas oculares (como a córnea e a conjuntiva) contra a dessecação. Acredita-se que os lípidos produzidos pelas glândulas meibomianas “selam” a parte aquosa do FL, criando uma barreira hidrofóbica e, assim, retardando a evaporação da água da superfície ocular, o que aumenta as propriedades protetoras do FL. Como os lípidos das sGM interagem com a subcamada aquosa subjacente do FL, a composição química das sGM é fundamental para manter a estabilidade geral do FL. Existe um consenso de que uma parte pequena, mas importante, dos lípidos meibomianos, nomeadamente os lípidos polares ou anfifílicos, é de especial importância, uma vez que forma uma camada intermédia entre a camada aquosa do FL e a sua camada lipídica superior (e muito mais espessa), formada principalmente por lípidos muito apolares, como ésteres de cera e ésteres de colesterol. O objetivo desta revisão é resumir o conhecimento atual sobre a lipidómica das sGM humanas, incluindo discussões sobre as técnicas analíticas modernas mais eficazes, a composição química das sGM, as propriedades biofísicas dos filmes lipídicos meibomianos e a sua relevância para a fisiologia do FL. São discutidos resultados publicados anteriormente, obtidos em vários laboratórios, bem como novos dados gerados no laboratório do autor. Conclui-se que, apesar do progresso substancial na área da lipidómica das glândulas meibomianas, existem grandes áreas de incerteza que precisam de ser abordadas em experiências futuras.
Butovich I. A. (2011). Lipidomics of human Meibomian gland secretions: Chemistry, biophysics, and physiological role of Meibomian lipids. Progress in lipid research, 50(3), 278–301.
https://doi.org/10.1016/j.plipres.2011.03.003
https://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/21458488/
O conteúdo deste artigo está diretamente relacionado com a ação do colírio OFTAlipid — saiba mais aqui.